domingo, 24 de março de 2013

Ergonomia e seus aspectos



A maioria dos estudos cuja unidade de análise é o conjunto dos trabalhadores envolvidos no processo de produção de refeições aponta para uma preocupação com o ambiente de trabalho, bem como com as características organizacionais que interferem na saúde dos mesmos.
Matos & Proença e Costa destacaram como condicionantes físicos e gestuais o esforço físico, a realização da maioria das atividades na posição de pé, o grande deslocamento, chegando a 7,9km por 8 horas de jornada de trabalho, os movimentos manuais repetitivos, a adoção de posições incômodas e o levantamento de peso de forma inadequada.
Com respeito aos condicionantes ambientais, Costa destacou os espaços de trabalho mal projetados, com número insuficiente de equipamentos ou com manutenção precária, além do desconforto térmico, umidade elevada e ruído excessivo.
Quanto aos condicionantes técnico-organizacionais que afetam o desenvolvimento do trabalho algumas pesquisas apontam a sobrecarga de trabalho, gerada particularmente pelo número reduzido de operadores, para dar conta de uma grande quantidade de refeições a serem produzidas; o ritmo excessivo na execução das tarefas, em função dos horários de distribuição das refeições e a ausência de pausas para recuperação do desgaste.
Novelleto & Proença constataram que várias inadequações nas condições de trabalho eram agravadas durante o processo de produção de refeições, tendo início no planejamento do cardápio. A frequência de determinadas preparações exigia um grande número de trabalhadores para operacionalizá-las, muitas vezes em posturas inadequadas e executando tarefas monótonas e repetitivas. As autoras enfatizam que o planejamento de cardápio deve levar em consideração o número de operadores e priorizar técnicas de preparo diferentes, no sentido de alternar as posturas a serem adotadas pelos funcionários ao executar as atividades e, com isso, diminuir a monotonia e melhorar o ritmo de trabalho.
Assim podemos classificar os aspectos ergonômicos de uma UAN, observando suas necessidade e implicações:

sexta-feira, 15 de março de 2013

ERGONOMIA E ALIMENTAÇÃO COLETIVA: ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO EM UMA UNIDADE DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO 

O trabalho em UAN é caracterizado como um processo de produção que utiliza  intensivamente sua mão-de-obra, vários autores consideram como uma atividade árdua, de  ritmo intenso, com posturas forçadas, mantidas por longos períodos.
As atividades desenvolvidas em UAN caracterizam-se por movimentos manuais repetitivos, levantamentos de pesos excessivos e permanência prolongada por períodos na postura em pé, ou mesmo numa postura constrangedora. Posturas inadequadas, imediatamente ou com o decorrer do tempo, apresentam dor. A postura é tão importante para o desempenho das tarefas quanto para a promoção da saúde e minimização de estresse e desconforto durante o trabalho.
As tarefas que exigem longo tempo em pé devem ser intercaladas com tarefas que possam ser executadas na posição sentada ou andando, a fim de evitar a fadiga nas costas e pernas e, também, prevenir as varizes. Além disso, é necessário considerar que um estresse adicional pode surgir quando a cabeça e o tronco ficam inclinados, provocando dores no pescoço e nas costas. Por isso, é importante projetar postos de trabalho que permitam alternar a postura sentada com a postura em pé, mantendo um espaço mínimo para pernas e pés.

Para a configuração dos locais de trabalho, a escolha da correta altura de trabalho é de essencial importância. Assim, se a área de trabalho é muito alta, frequentemente os ombros são erguidos para compensar, o que leva a contrações musculares dolorosas, principalmente na nuca e nas costas. Por outro lado, se a área é baixa, as costas são sobrecarregadas pelo excesso de curvatura do tronco, propiciando dores nas costas. Por isso, as mesas de trabalho devem estar de acordo com as medidas antropométricas, tanto para o trabalho em pé quanto para o sentado.
Para as atividades como mexer, picar e fritar, as mãos e os cotovelos deve permanecer abaixo do nível dos ombros. Caso a permanência dos braços acima dos ombros seja inevitável, sua duração deve ser limitada, havendo descansos regulares durante sua realização.

RECOMENDAÇÕES:
  • Planejar um processo de climatização para a UAN, melhorando com isso as condições de trabalho;
  • Substituir as rodas dos carrinhos de transporte por pneus, adequados e ajustáveis ao tamanho do mesmo;
  • Orientar os colaboradores a adequarem-se à correta utilização bancadas e equipamentos da UAN;
  • Alternar as atividades dos colaboradores para evitar a execução de trabalhos repetitivos por longos períodos de tempo;
  • Implantar um programa de ginástica laboral, preparatória e compensatória, visando diminuir o número de acidentes e afastamentos do trabalho;
  • Prevenir doenças originadas por traumas cumulativos, prevenir a fadiga muscular, corrigir vícios posturais, aumentar a disposição do colaborador ao iniciar e retornar ao trabalho, e promover maior integração no ambiente de trabalho;
  • Instruir os colaboradores sobre a correta postura para carregar e levantar peso, e mostra quais os tipos de movimentos devem ser evitados, como acima do nível do ombro, torção de tronco, ao mexer os alimentos nos caldeirões.
Para ler o artigo completo acesse: http://www.excelenciaemgestao.org/Portals/2/documents/cneg4/anais/T7_0056_0183.pdf




Estado nutricional e aspectos  ergonômicos de trabalhadores de  Unidade de Alimentação e Nutrição

Uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) desempenha atividades relacionadas à alimentação e nutrição. Para desempenhar tal tarefa, precisa contar com um quadro de pessoal adequado, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo.

A produção de refeições envolve fatores como o número de operadores, o tipo de alimento utilizado, as técnicas de preparo e infra-estrutura, exigindo equipamentos e utensílios que visam otimizar as operações, tornando-as mais rápidas e confiáveis do ponto de vista da conformidade do produto final. No entanto, a mão-de-obra continua  sendo um fator fundamental para qualidade final das refeições.

O trabalho acelerado frequentemente realizado em condições desfavoráveis, com equipamentos inadequados, ruídos excessivos, calor, umidade e iluminação insuficiente causam desgaste humano, expondo o trabalhador a doenças profissionais A busca de condições seguras e saudáveis no ambiente de trabalho significa proteger e preservar a vida e,  principalmente, é mais uma forma de se construir qualidade de vida 

Diante dos riscos a que são expostos os trabalhadores das UANs, começou a surgir uma preocupação com a saúde deste operador, além da conscientização de que as condições de trabalho e saúde estão diretamente relacionadas com a performance e a produtividade

Surge então o conceito de ergonomia para este seguimento de  trabalho. Segundo Laville (1977, apud PROENÇA, 1999), a ergonomia é definida como um conjunto de conhecimentos a respeito do desempenho do homem em atividade, a fim de aplicá-los à concepção de tarefas, dos instrumentos, das máquinas e dos sistemas de produção.

Para ler o artigo completo